Fisioterapia Uroginecológica e Coloproctológica

Elisangela da Silva - CREFITO 45.112-F
Fisioterapeuta com Pós-Graduação e Formação em Fisioterapia Uroginecológica e Coloproctológica


Waleska Oliveira dos Santos – CREFITO 155.581-F
Fisioterapia Uroginecológica e Coloproctológica

A Fisioterapia Uroginecológica e Coloproctológica atua no tratamento conservador das disfunções urogenitais e anorretais contribuindo para o bem estar físico e social de mulheres e homens que são acometidos por estas disfunções. São considerados os focos principais da atuação da Fisioterapia Uroginecológica:

  • Incontinência urinária aos esforços;
  • Incontinência urinária por urgência;
  • Incontinência anal (incontinência fecal e a gases);
  • Constipação;
  • Flacidez vaginal;
  • Disfunções sexuais;
  • Dores pélvicas;
  • Prolapsos genitais;
  • Reforço da musculatura pélvica na gravidez e no pós-parto;
  • Pré e pós-operatório de cirurgias pélvicas e prostatectomia radical.




  • Incontinência Urinária (IU):

    A incontinência urinária (IU) é definida pelo ICS (Sociedade Internacional de Continência) como uma perda involuntária de urina que é objetivamente demonstrável, sendo um problema social ou higiênico.

    A IU é uma condição que afeta a população mundial, principalmente a feminina, e segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estima-se que uma a cada 25 pessoas pode sofrer de incontinência urinária ao longo da vida. Cerca de 40% das mulheres, após a menopausa, perdem urina de forma involuntária e aproximadamente 10% dos homens que passam por alguma cirurgia da próstata também vivenciam a incontinência urinária por um período.

    A experiência com episódios de perda urinária é uma condição que não prevalece somente em mulheres idosas, mas, também, mulheres jovens e na meia-idade. O número exato de pessoas afetadas pela incontinência urinária pode ser muito maior do que as estimativas atuais, pois acredita-se que grande parte das pessoas afetadas não procuram ajuda por vergonha ou por acharem que não existe tratamento e que o problema é consequência normal do envelhecimento.

    A incontinência urinária causa impacto negativo na qualidade de vida, provoca sentimentos de baixa autoestima, interfere na vida sexual, restringe o contato social, interfere também nas tarefas domésticas e no trabalho. Embora muitos a considerem uma condição normal e a veem como resultado do processo de envelhecimento, a IU tem causado depressão e isolamento social.



    PrincipaisTipos de Incontinência Urinária:

    1-Incontinência Urinária aos Esforços (IUE)

    Nesta situação normalmente ocorre à falta de habilidade do mecanismo esfincteriano da uretra em oferecer resistência à saída de urina quando há aumento súbito da pressão intra-abdominal. Normalmente, manobras de esforço como tossir, rir, espirrar, levantar peso ou, até mesmo, mudar de posição, levam a perda de urina.

    Já nos homens, o principal fator de risco para ocorrência de incontinência urinária é a cirurgia radical da próstata (Prostatectomia Radical), que é uma das modalidades de tratamento do Câncer de Próstata. Neste tipo de intervenção cirúrgica, em função da proximidade entre o esfíncter urinário (esfíncter externo da uretra) e a próstata, o esfíncter pode tornar-se incompetente após a cirurgia, levando o paciente ao quadro de incontinência urinária de esforço.



    2-Incontinência Urinária de Urgência (IUU)

    Definida pela ICS (Sociedade Internacional de Continência) como a perda involuntária de urina que vem acompanhada por um desejo irresistível e súbito de urinar, difícil de postergar.

    A incontinência urinária de urgência é caracterizada por contrações inadequadas do músculo da bexiga durante a fase de armazenamento do ciclo miccional. Tais contrações dão origem a uma micção frequente e anormal, ou a uma grande vontade de urinar.

    Muitas vezes a incontinência urinária de urgência é um dos sintomas da Síndrome da Bexiga Hiperativa (BH) que é uma alteração funcional da bexiga caracterizada pelo aumento da frequência urinária (urinar mais de 8 vezes por dia), urgência urinária ( desejo forte e imediato urinar, o que tem que ser feito imediatamente), urge-incontinência (a pessoa sente urgência e caso não urine rapidamente, pode perder urina) e noctúria (acordar mais de 2 vezes a noite para urinar).

    Estima-se que a prevalência da Síndrome da Bexiga Hiperativa na população adulta nos Estados Unidos seja de 16,9% entre mulheres e 16% entre homens, o equivalente a cerca de 34 milhões de americanos. A Bexiga Hiperativa só perde para a depressão em alteração da qualidade de vida. A Síndrome causa vergonha, ansiedade, neurose, depressão, retração da vida social e inibição na vida sexual.

    3-Incontinência Urinária Mista (IUM)

    A Incontinência Urinária Mista caracteriza-se pela associação dos sintomas da incontinência urinária aos esforços com os da urge-incontinência.



    4-Incontinência Urinária por Transbordamento (IUT)

    A Incontinência Urinária por Transbordamento ocorre quando a bexiga não é esvaziada por longos períodos, tornando-se tão cheia, que a urina simplesmente transborda.

    Isso pode acontecer quando existe uma diminuição da sensibilidade da bexiga (você não percebe que a bexiga está cheia), quando existe uma fraqueza do músculo da bexiga ou obstrução na uretra que dificulta o esvaziamento normal. A principal causa de incontinência por transbordamento é um aumento da próstata com obstrução da uretra. Por essa razão, este tipo de incontinência é mais recorrente em homens.

    Fraqueza do músculo da bexiga e diminuição da sensibilidade pode ocorrer em homens e em mulheres, mas isso é mais comum em pessoas com diabetes, uso crônico de álcool e outros problemas que levam à diminuição da função neuronal.

    Fatores Predisponentes à Incontinência Urinária:

    A etiologia da Incontinência Urinária ainda é indefinida e certamente multifatorial e complexa, mas alguns fatores de risco predispõem o seu surgimento, dentre eles:

  • Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico;
  • Gravidez e parto;
  • Doenças que comprimem a bexiga;
  • Obesidade;
  • Menopausa;
  • Infecção urinária e vaginal;
  • Idade avançada;
  • Constipação;
  • Fatores hereditários;
  • Consumo de cafeína;
  • Tabagismo;
  • Exercício Físico;
  • Efeitos colaterais de medicamentos;
  • Doenças neurológicas;
  • Diabetes;
  • Obstrução da uretra por aumento de próstata;
  • Tosse crônica dos fumantes e quadros pulmonares obstrutivos que geram pressão abdominal;
  • Procedimentos cirúrgicos ou irradiação que prejudiquem os nervos do esfíncter masculino.



  • Diagnóstico:

    O diagnóstico de incontinência urinária será feito pelo médico através do levantamento da história do paciente, de um exame de análise da urina e da elaboração de um diário miccional onde o paciente deve registrar as características e a frequência das perdas urinárias. Outro recurso para firmar o diagnóstico é o Exame Urodinâmico que registra a ocorrência de contrações vesicais e a perda urinária sob esforço.



    Tratamentos:



    Existem diversas modalidades de tratamentos para incontinência urinária dentre elas destacam-se a Fisioterapia, os tratamentos medicamentosos e os tratamentos cirúrgicos. As opções de tratamento são prescritas pelo médico Urologista ou Ginecologista com base nos exames realizados e de acordo com a forma de apresentação desta incontinência e dos fatores associados a ela.

    O tratamento conservador para incontinência urinária consiste em qualquer forma de tratamento que não envolva o uso de medicações nem intervenções cirúrgicas. A Fisioterapia é indicada para o tratamento da incontinência urinária de esforço, bexiga hiperativa e incontinência urinária mista, pois algumas de suas técnicas apresentam nível um de evidência científica e grau A de recomendação, respaldando sua utilização como terapia de primeira linha.

    A Fisioterapia tem se mostrado uma boa opção de tratamento conservador para incontinência urinária por não ser invasiva, poder ser combinada com outras terapias e por possuir poucos efeitos adversos e contra-indicações. Seus resultados tem se mostrado eficientes na melhora dos sintomas e na qualidade de vida dos pacientes, entretanto, é importante ressaltar que o sucesso dessas técnicas terapêuticas depende de alterações do estilo de vida dos pacientes, sendo essencial sua adesão às condutas propostas.

    Principais Técnicas utilizadas na Fisioterapia Uroginecológica:


    O tratamento na Fisioterapia Uroginecológica é realizado após cuidadosa e criteriosa avaliação e consiste nos seguintes métodos e técnicas de tratamento:


    1. Treinamento Funcional do Assoalho Pélvico (TMAP)

    O treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) é definido segundo o ICS (Sociedade Internacional de Continência) como contrações voluntárias seletivas e repetitivas desses músculos seguido por seu relaxamento. Segundo revisão sistemática de literatura do Cochrane Library o treinamento dos MAP é efetivo na melhora dos três principais tipos de incontinência urinária, mas especialmente na incontinência urinária esforço.

    Através do treinamento dos músculos do assoalho pélvico é possível:

  • Melhorar a tonicidade, a força e a resistência da musculatura pélvica e do esfíncter externo da uretra;
  • Aumentar a capacidade de recrutamento das fibras musculares dos músculos do assoalho pélvico;
  • Equilibrar as forças de transmissão de pressão sob a uretra através do equilíbrio da estática lombo pélvica;
  • Adquirir coordenação da musculatura perineal durante os esforços.

  • O TMAP é considerado como a primeira linha no tratamento da incontinência urinária, sua efetividade está comprovada em boa parte da literatura. Os riscos de seu emprego são geralmente pequenos e a percepção das pacientes quanto ao seu uso é bastante favorável.

    Apesar de o TMAP ser de fácil realização, não requerer equipamentos especiais e de não apresentar efeitos adversos significativos, necessita ser realizado seguindo princípios da fisiologia do exercício relacionados à sua frequência, intensidade e duração, de modo a proporcionar sua efetividade. Uma vez que a resposta muscular demora pelo menos três meses para se efetivar, os programas são recomendados por um período variável de três a seis meses, havendo a necessidade de incorporação de sua prática na rotina dos pacientes para manutenção dos resultados.

    Assoalho Pélvico Feminino e Masculino:




    2. Treinamento Vesical (TV)

    O treinamento vesical (TV) consiste em um processo educativo onde os pacientes são treinados a aumentar gradualmente o intervalo entre o desejo miccional e o esvaziamento vesical, por meio do aprendizado de algumas técnicas que são capazes de inibir a urgência e desencadear um maior controle sob a situação. Tradicionalmente, esse treinamento tem sido defendido como uma modalidade terapêutica no tratamento dos sintomas da bexiga hiperativa e mais recentemente recomendado para o tratamento da IU mista e IU de esforço.

    O treinamento vesical proporciona maior consciência nos pacientes das situações que desencadeiam a perda urinária, levando a uma mudança de comportamento diante da ocorrência dessas situações. Existem evidências científicas na literatura que demonstram a efetividade desta técnica. Abaixo seguem seus principais benefícios:

  • Aumento dos intervalos de tempo entre as micções;
  • Aumento da capacidade de armazenamento de urina na bexiga;
  • Diminuição dos episódios de perda urinária;
  • Redução da quantidade de urina perdida;
  • Acréscimo e melhora da qualidade de vida.



  • 3. Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM)

    Trata-se de um recurso terapêutico conservador que visa o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico na tentativa de recuperar os mecanismos de continência urinária por meio de contrações musculares eletricamente eliciadas. Os efeitos da estimulação elétrica sobre a musculatura do assoalho pélvico foram descritos em 1952 por Bors. A estimulação elétrica pode melhorar a função urinária aprimorando a força e a coordenação dos MAP e inibindo as contrações da musculatura detrusora (músculo que envolve a bexiga).

    A EENM promove a contração dos músculos do assoalho pélvico, contribuindo para o treino de força e resistência muscular. Ela aumenta o número de unidades motoras ativas, a frequência de excitação (adaptação neural) e favorece a hipertrofia muscular. Esses benefícios alcançados proporcionam contrações fortes e rápidas desses músculos que irão comprimir a uretra, aumentando a pressão uretral e prevenindo a perda de urina durante aumentos súbitos de pressão intra-abdominal. A musculatura do assoalho pélvico com bom funcionamento constitui um suporte estrutural para a bexiga e para a uretra.

    A eletroterapia é feita por meio de eletrodos de superfície ou intracavitários por um período que varia de 15 a 30 minutos, duas a três vezes por semana, sua aplicação não provoca queimaduras e sua intensidade é ajustada conforme a sensibilidade de cada paciente, sendo esta uma técnica indolor.

    Principais benefícios da EENM:

  • Aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos do assoalho pélvico;
  • Restabelece as conexões neuromusculares;
  • Melhora a função das fibras musculares, gerando hipertrofia;
  • Modifica o padrão de ação das fibras musculares, pelo aumento do número de fibras rápidas.



  • 4. Estimulação do Nervo Tibial Posterior

    A utilização da eletroestimulação de baixa frequência, através da colocação de eletrodos de superfície na região do nervo Tibial Posterior para inibição da hiperatividade do detrusor, tem sido mencionada como alternativa à eletroestimulação intracavitária via nervo pudendo.

    Este método é de fácil acesso, baixo custo e com bons resultados sendo, portanto, uma excelente opção para o tratamento da síndrome da bexiga hiperativa idiopática.

    Os principais benefícios da utilização desta técnica são:

  • Aumento dos intervalos de tempo entre as micções;
  • Aumento da capacidade de armazenamento de urina na bexiga;
  • Diminuição dos episódios de perda urinária;
  • Redução da quantidade de urina perdida;
  • Acréscimo e melhora da qualidade de vida.



  • 5. Biofeedback (BF)



    O Biofeedback Uroginecológico é um equipamento utilizado para captar, por meio de sinais visuais e sonoros, a atividade dos músculos do assoalho pélvico e torná-la perceptível ao paciente, baseia-se no fluxo de informação entre paciente, Fisioterapeuta e equipamento de Biofeedback.

    Este equipamento apresenta os protocolos necessários para a reabilitação da musculatura do assoalho pélvico. É uma forma de avaliação que pode predizer, de maneira consistente, determinadas variáveis clínicas relacionadas ao funcionamento da musculatura em questão, sendo um método preciso para mensurar a integridade neuromuscular.

    O Biofeedback pode ajudar os pacientes a adquirirem maior controle sobre a atividade dos músculos do assoalho pélvico, reduzindo uma atividade excessiva, ou ajudando no treinamento para utilização dos músculos mais apropriados para o controle urinário.

    A informação provinda do Biofeedback Uroginecológico atua como um estimulador externo, até que os músculos ganhem força e adquiram maior percepção e conscientização de sua função. Esse procedimento representa uma das melhores escolhas de tratamento para o paciente identificar a musculatura correta que deve ser ativada durante os exercícios propostos.



    Principais Objetivos da Utilização do Biofeedback Uroginecológico:

    - Aumentar a consciência da atividade psicofisiológica;
    - Proporcionar reação e recuperação da musculatura envolvida;
    - Aumentar a auto-eficácia e a confiança na capacidade de auto-regulação psicofisiológica;
    - Ensinar a usar o relacionamento entre pensamento, comportamento e funcionamento fisiológico;
    - Desenvolver auto-regulação psicofisiológica geralmente não aprendida sem esta informação, tornando a aprendizagem destes procedimentos conscientes;
    - Fornecimento de uma terapia não farmacológica, segura e eficaz;
    - Fornecer ao terapeuta através de gráficos e traçados, a função e a disfunção muscular do paciente.


    6. Cones vaginais

    Os cones são dispositivos compostos de ácido inoxidável, revestidos de plástico com um fio de nylon em sua extremidade para facilitar sua remoção. São utilizados jogos de cinco a nove cones, cada um com peso que varia de 20g a 100g. O uso desse procedimento objetiva proporcionar um treinamento funcional dos Músculos do Assoalho Pélvico durante a realização de atividades do dia-a-dia. As pacientes são orientadas a inserir o cone na vagina durante 15 a 20 minutos, duas vezes ao dia e a deambular. A sensação de perda do dispositivo proporciona a contração dos músculos do assoalho pélvico. As pacientes iniciam o treinamento com um cone que consigam manter dentro da vagina por um minuto em postura ortostática. Quando conseguem deambular com um cone de determinado peso dentro da vagina por um período de vinte minutos, são orientadas a continuar o treinamento com um cone mais pesado. Os cones representam mais uma opção terapêutica que pode ser eficaz desde que haja uma boa aceitação pela paciente.



  • Considerações Finais

  • Para que os resultados da Fisioterapia sejam promissores e bem sucedidos, em longo prazo é necessária a colaboração, a adesão, a assiduidade, a disciplina e o comprometimento do paciente diante das atividades terapêuticas propostas.

  • Quanto mais precoce for o encaminhamento da (o) paciente para a Fisioterapia, maior será a chance de obter sucesso no tratamento.

  • Atualmente, a Fisioterapia é o primeiro tratamento proposto para a IU leve e moderada, e para aqueles casos de IU grave, que exigem tratamento cirúrgico, a Fisioterapia no pré e pós-operatório inclui-se no processo terapêutico melhorando muito o resultado cirúrgico.

  • Converse com seu médico a respeito da Fisioterapia Uroginecológica ou marque uma avaliação para maiores esclarecimentos e informações.

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